A docência da gastronomia é desafiadoramente deliciosa para mim. Me realizo quando vejo o brilho nos olhos dos alunos começando a refogar, assar e guisar com suas próprias mãos. Mas, ultimamente me pego preocupada com esses futuros cozinheiros.
O estudo da gastronomia em escolas e universidades é recente. Há algumas décadas os trabalhadores da cozinha adquiriam conhecimentos na prática profissional e no conhecimento empírico.
Nos anos 1980, os chefs europeus chegaram ao Brasil. Trouxeram novos conceitos para o mercado, aplicaram técnicas até então desconhecidas no desenvolvimento de cardápios e no preparo dos pratos. Esses chefs tinham um diferencial importante: formação profissional em Gastronomia.
A formação em Gastronomia deve preparar profissionais para assumir com capacidade de administração um empreendimento gastronômico, com conhecimento de elaboração de cardápios, criação de pratos e combinação de sabores.
A Gastronomia passou a ser uma carreira concorrida. A televisão colaborou bastante com a moda de ser chef. A cozinha que um aluno recém formado encontra é diferente da idealizada por ele. Um profissional de Gastronomia deve saber que a cozinha requer talento, dedicação, trabalho duro e muita paixão. Não há glamour em enfrentar panelas pesadas, trabalhar nos fins de semana ou ficar em pé durante horas nas cozinhas quentes da vida.
O que me preocupa é a glamourização da profissão e, com ela o distanciamento destes profissionais da cozinha real. Por isso, a pergunta que não quer calar: Quer ser cozinheiro???
